segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Limites

Certa vez, disse-me um amigo, cuja vida andava por demais atarefada, que iria até onde seu limite o deixasse, sem chatear-se, com fé e confiança em Deus.

Embora tenha se enganado no uso da palavra, acabou por acender em mim a chama da rejeição, provocando-me a seguinte reflexão:

O ser humano, em sua pequenez, encara limites que lhes são nada mais que psicológicos. Ora, porque somos limitados fisicamente para certas coisas, e ultrapassamos a todo tempo limites em outras?

Por que, quando relacionado ao álcool, o ser humano facilmente ultrapassa medida próxima ao ideal para mantença da racionalidade, que presumo ser uma dose, para algo extremamente maior, como uma caixa de cerveja? Ora, percebo que é fácil dispor de seu limite, racionalmente, quando lhe é prazeroso, confortável, agradável.

Porém, ao contrário, se quiser inverter o limite, árdua e pedregosa estrada deve cruzar o ser humano para reduzir seu consumo, para limitar o vício. É preciso muita fé, muito autocontrole e uma insuperável perseverança.

De modo análogo, como o drogado ultrapassa quaisquer limites vendendo o que estiver a seu alcance para comprar mais drogas, mas lhe é tão difícil abandonar o vício?

Além dos exemplos dos vícios, que envolvem aspectos fisiológicos que não pretendo trazer a esta reflexão, trago os seguintes:

Por que o motorista atrasado ultrapassa sem remorso os limites de velocidade, não conseguindo adaptar-se aos limites impostos em outras situações?

Por que nos é fácil limitar-se à natureza humana ao invés do árduo caminho que nos leva à santidade?

Por óbvio que há limites aos quais devemos nos basear para nossa sobrevivência: não há razão para acreditarmos que poderemos sobreviver às mais diversas intempéries e temperaturas absurdamente baixas sem sofrer quaisquer conseqüências desta condição, como a hipotermia.

No entanto, por que permitimos que nossas fraquezas extrapolem o limiar de nossa corporeidade? Por que alguns limitam seu ecumenismo à manhã dos domingos ou aos cultos semanais?

É nestes termos que, desatendo-me do recente inconformismo e escusando-me pela ausência, me despeço.

Salve Regina Caelorum, Mater Afflictis

domingo, 30 de agosto de 2009

Evangelho do Dia



Lèctio sancti Evangèlii secùndum Matthae (Mat 7, 1-8. 14-15. 21-23): Naquele tempo, 1 os fariseus e alguns mestres da Lei vieram de Jerusalém e se reuniram em torno de Jesus. 2 Eles viam que alguns dos seus discípulos comiam o pão com as mãos impuras, isto é, sem as terem lavado. 3 Com efeito, os fariseus e todos os judeus só comem depois de lavar bem as mãos, seguindo a tradição recebida dos antigos. 4 Ao voltar da praça, eles não comem sem tomar banho. E seguem muitos outros costumes que receberam por tradição: a maneira certa de lavar copos, jarras e vasilhas de cobre. 5 Os fariseus e os mestres da Lei perguntaram então a Jesus: “Por que os teus discípulos não seguem a tradição dos antigos, mas comem o pão sem lavar as mãos?” 6 Jesus respondeu: “Bem profetizou Isaías a vosso respeito, hipócritas, como está escrito: ‘Este povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim. 7 De nada adianta o culto que me prestam, pois as doutrinas que ensinam são preceitos humanos’. 8 Vós abandonais o mandamento de Deus para seguir a tradição dos homens”. 14 Em seguida, Jesus chamou a multidão para perto de si e disse: “Escutai, todos, e compreendei: 15 o que torna impuro o homem não é o que entra nele vindo de fora, mas o que sai do seu interior. 21 Pois é de dentro do coração humano que saem as más intenções, imoralidades, roubos, assassínios, 22 adultérios, ambições desmedidas, maldades, fraudes, devassidão, inveja, calúnia, orgulho, falta de juízo. 23 Todas estas coisas más saem de dentro, e são elas que tornam impuro o homem”. Verbum Dòmini.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Escolha!

“Josué falou a todo o povo: ‘Se vos parece mal servir ao Senhor, escolhei hoje a quem quereis servir: se aos deuses a quem vossos pais serviram na Mesopotâmia, ou aos deuses dos amorreus, em cuja terra habitais. Quanto a mim e à minha família, nós serviremos ao Senhor’”.

Movido por este trecho e, em função da solenidade de São Bartolomeu, apóstolo e mártir, pergunto-lhes hoje, amigos leitores: e vocês, a quem querem seguir? Aos deuses que muitos entronam, aos heróis e personagens das ficções e romances? Ao dinheiro que vocês mantêm ou que almejam? A quem realmente queremos servir? A um deus que nos é subordinado? Às tentações e ao pecado? À fraqueza de nossa condição humana? À iniqüidade e desconfiança? À corrupção e à miséria social? Às invenções e à tecnologia? Ou acaso querem servir a Deus entre goles de cerveja? Ou talvez entre tragadas de cigarro? Quiçá entre os devaneios e alucinações causados pelas drogas?

Pensem, meus caros, a quem estais servindo hoje? Acaso estamos ao menos nos servindo propriamente ou estamos empregando os meios que possuímos para destruir-nos?

É cada vez mais preciso que atuemos e que nos revoltemos contra o mundo cada dia mais alarmante e descontrolado em que vivemos:

Quantos são os jovens entregando-se às drogas, à tentação, à corrupção da carne? Quantos são os que morrem em razão da violência que combatemos de portas e janelas fechadas, para poupar-nos? Quantas são as mães que perdem seus filhos para o álcool, ou em acidentes terríveis de trânsito por desrespeito a leis nada excessivas?

Quantos são os órfãos, os abandonados em abrigos, lares, asilos, ruas? Quantos são os abandonados em seus próprios lares, filhos de pais despreocupados com sua prole? Quantos são os abandonados em suas profissões, vivendo de sua frustração? Quantos são os que abandonam suas famílias pois são incapazes de perdoar a seus irmãos?

Quantos são os cristãos artificiais, que pretendem moldar a sua fé àquilo que entendem correto? Quantos são os protestantes que empreendem uma vida inteira perseguindo convicções católicas que sequer buscam entender? Quantos são os católicos que se enveredam pelas vias do espiritismo, do anglicanismo?

Quantos são os cristãos que apenas vão à missa para batizar seus filhos? Quantos são os cristãos que não estão em dia com os sacramentos? Quantos são os cristãos que se perderam pela vida? Quantos são os cristãos mornos, que dizem ser cristãos mas estão enveredados em superstições e tendências outras?

Acaso não são capazes de exemplificar algumas das condições acima elencadas ou outras quaisquer? Ou quiçá nós mesmos nos enquadremos ali? Este é o mundo que serve a Deus? Percebem a atualidade da palavra de Josué?

É por meio desta reflexão que, escusando-me por eventual descompasso, lhes digo: escolham hoje a quem quereis seguir.

Salve Regina Caelorum, fons amoris.

DD.


domingo, 23 de agosto de 2009

Evangelho do Dia



Lèctio sancti Evangèlii secundum Johannemm. Muitos seguidores de Jesus ouviram isso e reclamaram: “O que ele ensina é muito difícil! Quem pode aceitar esses ensinamentos?” Não disseram nada a Jesus, mas ele sabia que eles estavam resmungando contra ele. Por isso perguntou: “Vocês querem me abandonar por causa disso? E o que aconteceria se vocês vissem o Filho do Homem subir para onde estava antes? O Espírito de Deus é quem dá a vida, mas o ser humano não pode fazer isso. As palavras que eu lhes disse são espírito e vida, mas mesmo assim alguns de vocês não crêem”. Jesus disse isso porque já sabia desde o começo quem eram os que não iam crer nele e sabia também quem ia traí-lo. Jesus continuou: “Foi por esse motivo que eu disse a vocês que só pode vir a mim a pessoa que for trazida pelo Pai”. Vèrbum Domini.

sábado, 22 de agosto de 2009

Homilia de SS Bento XVI aos jovens em Loreto (02/09/07)

Caros amigos,

Trago hoje a mensagem da homilia de SS Bento XVI aos jovens de Loreto em setembro de 2007, na esperança de que, à luz dos problemas que por hora me afastam das postagens habituais, sejam-lhes proporcionados momentos de verdadeira reflexão.

"Caros jovens, não sigam o caminho do orgulho, mas o caminho da humildade. Caminhem contracorrente: não ouçam as vozes reboantes que hoje em muitas partes propõem modelos de vida caracterizados pela arrogância e pela violência, marcados pela prepotência e pela busca do sucesso a todo custo, pelo aparecer e pelo ter, em detrimento do ser... Caros amigos, não tenham medo de preferir os caminhos "alternativos" indicados pelo verdadeiro amor... Não tenham medo de se mostrar diferentes e de ser criticados por quilo que pode parecer fora de moda. Os coetâneos de vocês, como também os adultos – e especialmente aqueles que parecem mais distantes da mentalidade e dos valores do Evangelho – têm uma profunda necessidade de ver alguém que ouse viver segundo a plenitude de humanidade manifestada por Jesus Cristo. Caros amigos, o caminho da humildade não é, portanto, o caminho da renúncia, mas da coragem."

Alegrai-vos no Senhor!
Salve Regina Caelorum
DD.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Audiência de SS Bento XVI aos peregrinos

Em Castel Gandolfo, onde está passando um período de descanso, Bento XVI concedeu audiência na manhã de ontem aos fiéis e peregrinos que, semanalmente, vêm a Roma especialmente para ver o papa e ouvir as palavras de seu magistério. Aos peregrinos de língua portuguesa, disse:

“Amados peregrinos de língua portuguesa (...), agradeço a vossa presença com votos de que este encontro com o Sucessor de Pedro revigore, em todos vós, o fervor espiritual para assim testemunhardes, com as vossas vidas, a Mensagem Salvadora de Jesus Cristo. Sobre cada um de vós e vossas famílias desça a minha bênção”.

Salve Regina Caelorum
DD.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Firmes no Senhor

Meus caros,

A História da humanidade, com seus grandes feitos, invenções, catástrofes e previsões, está dividida em a.C (antes de Cristo) e d.C (depois de Cristo). De adoção já secular, por óbvio tal divisão atentou na mudança da estrutura mundial após o nascimento do Salvador.

Foram períodos de luz e de trevas, de vida e de morte, de paz e de guerras, de fé e de ateísmo e agnose, de santidade e de pecado, formalmente separados uns dos outros e alternando-se mutuamente.

Ora, amigos, este marco não deve restar, apenas, nas páginas dos livros de história. Acaso nossa vida não possui igual fronteira? De fato nossa vida está marcada em Cristo, nosso Senhor e Salvador.

Deste modo, e sem marcadores esquivos, a síntese do que éramos antes de aceitarmos Cristo em nossas vidas não pode, em momento algum, ser semelhante à essência de nossa nova e restaurada vida no Cristo salvífico.

E, se agora somos homens novos, não devemos nos entregar a hábitos velhos. Devemos, pois Cristo é conosco, viver, abnegando toda causa de morte, “porque agora vivemos, se estais firmes no Senhor." (I Tessalonicenses 3, 8)

Também "porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (João 3, 16), o pecado em nossas vidas deve, assim, ser rechaçado. Não é concebível que entreguemos nossa condição salvífica para vivermos de erro e morte.

De modo análogo, “sede fortes e corajosos; não temais, nem vos atemorizeis diante deles, porque o Senhor vosso Deus é quem vai convosco: não vos deixará nem vos desamparará.” (Deuteronômio 31,6)

Quem caminha com Deus não é deixado na escuridão. Não é nisso que cremos? Não é este um dos pontos fortificantes de nossa fé? Se assim é, por que temer? Lembremo-nos que, tendo entregado a Cristo e a seu Sagrado Coração nossas vidas, o mal não é capaz de coabitar em nós, vez que “se Deus é por nós, quem será contra nós?” (Romanos 8, 31).

É com a esperança de que possamos viver em Cristo, ignorando às coisas que dele nos afastam, e aos medos angústias contemporâneas, que, agradecendo às calorosas mensagens dos irmãos em Cristo e mais uma vez recomendando-me às vossas orações, me despeço.

Salve Regina Caelorum, Consolatrix afflianorum.